Um dia estava tão cansada, sem esperança e sem saída para o meu fracasso, minhas interrogações de onde eu poderia ter falhado como mãe, já havia tentado tudo que era possível, impossível, havia dias que logo ao acordar já me deparava chorando, no decorrer do meu dia se algo não corresse bem já ficava raivosa e agressiva, passava noites sem dormir... A minha vida estava de pernas para o ar em sentimentos, em amor próprio, uma vida que não fazia mais sentido, pois como poderia ser feliz com um filho a ir para um caminho inverso do decorrer normal de uma vida normal? 

 

Eu estava realmente esgotada, acabada, triste, deprimida, frustrada, sentimentos horríveis, mas esse nunca foi o meu normal, sempre fui a falante, brincalhona, engraçada, sempre fui e fiz de mim uma pessoa que sabia aproveitar cada momento do meu dia. Mas com a adição do meu filho tudo passou a ser cinza em minha vida.

 

Até que fui convidada para ir a uma reunião de FA. Entrei em 10 fevereiro de 2021. Portugal estava em estado de emergência, devido ao covid-19, e estava a viver ainda mais a adição do meu filho, pois eu estava em casa o tempo todo.

 

Na minha primeira reunião fui super bem acolhida e a cada leitura e partilha eu chorava, chorava muito. Neste mesmo dia também quis partilhar meus sentimentos e mais chorava que falava, mas fui ouvida e ouvi também.

 

Quando a minha primeira reunião, acabou eu estava mais leve, sentia que devia voltar a outras reuniões e assim fiz, com o grupo e as literaturas logo notei que os meus sentimentos de culpa e fracasso começaram a ficar mais leves em mim, eu percebi e reconheci que “EU ERA IMPOTENTE PERANTE AS DROGAS E AS VIDAS DOS OUTROS - QUE MINHA VIDA TINHA SE TORNADO INGOVERNÁVEIS", este foi meu pontapé de saída e ainda estou na caminhada de ter minha vida sobre controle, pois em FA tenho conseguido estabelecer limites, tenho conseguido manter um amor firme e desprender-me com amor do meu filho.

 

Já não me sinto culpada, vejo que muitas das minhas atitudes de amor só lhe facilitaram ainda mais a adição de álcool e drogas. Percebi que a mudança começa em mim, que eu preciso estar bem comigo para poder ajudá-lo. 

 

Notei uma enorme diferença no comportamento dele e hoje (08/maio/2021). Meu filho está há dez dias para começar a tratar da sua doença, ele vai para um centro terapêutico. Foi ele que decidiu ir. Admitiu que não conseguia largar sozinho seus vícios, e hoje só posso agradecer os ensinamentos que tenho tido em FA, mas continuarei a tratar de mim e da minha doença chamada co-dependência. Ele trata da doença dele e eu trato da minha.

 

HOJE EU VOU viver o meu dia, minha vida, e deixarei ele viver a vida dele.

 

Olinda S., Grupo Sacramento

Desde fevereiro 2021