Eu sou padastro de um adicto. Não foi fácil dizer estas palavras pela primeira vez, na minha primeira reunião em Agosto de 2017, na sala de S. João de Deus. 

 

Na altura o meu enteado estava em recuperação numa clinica e depois de tantos anos de luta e incompreensão da adição a nossa ansiedade sustentava-se essencialmente no seu regresso a casa e, claro, na sombra de possíveis recaídas. Entrámos na sala à procura de receitas, de como o poderíamos ajudar a continuar a mudar. 

 

A reunião foi maravilhosa. Parecia que os companheiros antecipavam as nossas angústias e cada palavra adaptava-se à nossa história. Mas havia uma grande diferença, todos se focavam neles mesmos e no seu caminho e não no caminho dos “seus” adictos. 

 

Foi nesse momento que a mudança de vida começou. O primeiro passo.
Reconhecer a impotência, aceitar a adição como uma doença e largar a culpa. Entregar.

 

Parece tão simples, mas é tão profundamente transformador. O primeiro passo e os outros que se seguiram ajudaram-me a trocar a ansiedade pela serenidade, mesmo quando quase um ano mais tarde o meu enteado recaiu. Hoje apesar do uso vivemos em serenidade e estamos firmes no nosso amor. Sem FA não seria possível. 

 

Diogo T., Grupo São João de Deus.

Desde agosto 2017